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Vida em balanço

A praça estava em reforma. Quase todos os brinquedos estavam interditados. Andaimes, tapumes e lama davam ao espaço uma sensação de abandono. Mas Rosane não percebia nada a seu redor. Sentada no balanço num vai e vem vagaroso, ela só conseguia enxergar a própria tristeza. E deixava as lágrimas correrem no rosto como se também pertencessem à chuva que caía.

O vestido que comprara para a noite já perdera a compostura. O colar foi destruído durante a briga. O sapato caiu em meio ao barro. Completamente desorientada ela não compreendia como Carlo chegara ao ponto de pegar uma faca para tentar matá-la. Esperava que ele enraivecesse quando lhe falasse da separação, mas nunca pensou que chegaria a tanto.

Ela nem mesmo terminara de falar e ele já aos gritos começou a ameaçar. Rosane, que não admitia desfaçatez, também alterou a voz e sem conseguir segurar o que guardara por tanto tempo despejou tudo que pensava a seu respeito. Incluindo que não era bom de cama. Ferido como macho, Carlo empunhou a faca do balcão da cozinha projetando-se sobre ela. Daí em diante, ela só tinha flashes do que havia ocorrido.

Ainda abatida, levantou do balanço e caminhou em direção ao asfalto para atravessar a rua. Um grupo de crianças passou correndo, brincando n`água da chuva, e deu-lhe o mínimo de ânimo que precisava para retornar e ligar à polícia. Precisava explicar a morte do ex-marido.

Glenio Fontanella
15/05/2018

 

 

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"Fiquei muito satisfeito com o conteúdo da Oficina. Minha experiência com escrita, agora vejo com maior clareza, era inteiramente prática ou intuitiva e, certamente, passível de ser substancialmente melhorada. Gostei muito da orientação obtida através da Oficina e, em particular, da tua avaliação do material dos desafios."

Décio Oliveira Elias,
Rio de Janeiro, RJ

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