Blog da Oficina

Eupatia Popular

Tinha boca pra ir a Roma
Se fosse devagar, iria longe

Mas ia com pressa imperfeita
E mal acompanhada
Havia caído na rede como um peixe
Mas não dizia com quem andava
Para que não soubessem quem ela era
Enganava com sua aparência

Dava a César, o que era de César
Era dando, que recebia
Parecia bonito o feio que amava
Sabia que o cão ladrava mas não mordia

Morava na casa da mãe Joana
E se inglês olhasse,
Veria que era tudo feito nas coxas
Feito de pau, como na casa do ferreiro

Enquanto a grama do vizinho, mais verde nascia

Comia cru e quente
Pois sempre tinha pressa
Brincava com fogo e se queimava

Observava os gatos pardos que saiam a noite
Mas ficava no seu galho

Escutava a voz do povo
E pensava ser a voz de Deus
Meia palavra lhe bastava

Madrugava, mas ninguém ajudava
Não havia pedra que furasse
Por mais que a água batesse
Nada podia, então se sacodia

Cantava p ra espantar seus males
Tudo que era bom, durava pouco
Nunca ria por último

A boca que tinha, não iria à Roma

Olive Laiff
02/07/2018

 

 

Site desenvolvido por metamorfose agência digital

DEPOIMENTOS

"Fiquei muito satisfeito com o conteúdo da Oficina. Minha experiência com escrita, agora vejo com maior clareza, era inteiramente prática ou intuitiva e, certamente, passível de ser substancialmente melhorada. Gostei muito da orientação obtida através da Oficina e, em particular, da tua avaliação do material dos desafios."

Décio Oliveira Elias,
Rio de Janeiro, RJ

mais depoimentos

 

Para Oficina de Criação Literária

 

 

 

curso desenvolvido pela